Saiba tudo sobre a festa de Iemanjá em Salvador!

Entenda a motivação religiosa desse evento e por que todo mundo deveria ir pelo menos uma vez na vida, independentemente da crença

Só quem já foi sabe como é a sensação de assistir à homenagem à rainha do mar no dia 2 de fevereiro em Salvador. A festa religiosa já virou um marco da cultura baiana e todos os anos atrai milhares de turistas para assistir ao ritual, que começa na madrugada, no bairro do Rio Vermelho, onde fica a Casa de Iemanjá.

Nesse dia, várias outras cidades, como Rio de Janeiro e Recife, também sediam atividades abertas de homenagem a Iemanjá, mas a festa de Salvador é a maior do país. É lá que estão os maiores centros de Umbanda e Candomblé, religiões que cultuam a divindade.

Para as religiões de origem africana, Iemanjá, também chamada de Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e até Maria (num sincretismo com a religião católica), é quem decide o destino de quem entra no mar. Por isso, comunidades ribeirinhas e pescadores têm grande respeito por ela.

Apesar de ser um evento religioso, a Festa de Iemanjá é considerada uma festa popular, que atrai também turistas e visitantes que não necessariamente seguem as religiões. Desde que respeitem o ritual, todos são bem-vindos. E, alerta: mesmo quem não tem religião costuma se emocionar.

A origem

Dizem que a festa teve origem em 1923 quando um grupo de pescadores resolveu dar oferendas à divindade, pedindo fartura de peixes e mar tranquilo. E, por estranho que pareça, não começou no mar. 

O primeiro evento aconteceu no Dique do Tororó, um manancial natural que tem enormes estátuas de orixás dentro de um lago, incluindo Iemanjá. Oxum, Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxalá, Nanã e Iansã também estão lá.

Hoje, a festa acontece na praia em frente à Casa de Iemanjá, um pequeno centro religioso, aberto para visitação durante todo o ano. No dia 2 de fevereiro, é lá que se concentram as homenagens.

A festa

Vários blocos e grupos fazem apresentações culturais nos arredores da Praia do Rio Vermelho durante o dia 2 de fevereiro. A Festa, tombada em 2020 como Patrimônio Cultural de Salvador, começa na madrugada do dia 2, pouco antes da meia-noite, e se estende por todo o dia.

A dica para quem quer acompanhar o ritual de oferendas na Casa de Iemanjá é chegar na madrugada, por volta de duas da manhã. Nesse horário, o local não costuma estar tão cheio e dá para ver de perto os devotos, todos vestidos de branco, preparando-se para enviar suas embarcações com oferendas para o mar.

Tem muita música, dança e fé durante essa etapa do ritual, e acompanhar de perto é uma verdadeira experiência antropológica, independentemente de se você compartilha ou não de uma religião que cultua orixás.

Muitos barcos vão para o alto-mar na alvorada, quando a prefeitura também solta fogos de artifício, um espetáculo imperdível. Muitos turistas aproveitam esse momento para também jogar suas oferendas no mar e pular sete ondas para atrair sorte e bonanças.

Quem quiser viver a experiência completa pode combinar antes com algum barqueiro para participar desse momento, que é realmente emocionante. Durante todo o dia é possível fazer isso e alguns barqueiros podem ser contratados ali na hora. Às 16h, muitos pescadores também vão para o mar, outra opção de horário.

Tradicionalmente, são enviados balaios com comidas, espelhos, perfumes, flores, champanhe, velas e bilhetes com oferendas para a rainha do mar. No entanto, com o intuito de diminuir a poluição, a Prefeitura orienta turistas e fiéis a não jogarem mais esses objetos no mar. Só flores são recomendadas.

Uma dica importante é não ir de carro, pois as ruas ficam fechadas na orla. Por isso, o melhor jeito de curtir a festa é se hospedando nas proximidades, onde há ótima infraestrutura de hotéis e restaurantes, já que essa é uma região turística durante todo o ano.

Ainda, vale ir mais cedo acompanhar o ritual e depois passar o resto do dia curtindo a vibe na orla ou as festividades em algum bar no próprio Rio Vermelho, bar boêmio da capital baiana. A energia é incrível!

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